Imagine que você é o Lawrence da Arábia e está no deserto. Mas você não esta detonando tudo nem entrando para a história, você só está morrendo no deserto...
Hmm, nada palpável, certo? Okay.
Imagine que você é você e está perdido no deserto.
Óbvio demais...
Então imagine que você é um gerador.
Ok... vamos voltar.
Imagine que você é você e está perdido no deserto.
Seus suprimentos - Todos eles - estão acabando. Só lhe resta um cantil de água (O que destrói todo o significado da expressão entre travessões, mas quem liga? Continuemos).
O que você faria?
Beberia a água, certo?
Não tudo, é claro, você racionaria para durar mais (redundante..), pois bem, somos seres humanos e somos superiores a todo tipo de raça, certo? E você sabe também que se continuar a ir para o norte, você encontrará... sei lá, o Rio Nilo.
Mas você não tem uma bússola e depois de andar um mês inteiro - ou dez minutos, você não sabe a diferença, pois porra, tu tá no deserto e não sabe nada - você não acha o grande Nilo ( eu nem sei se o Nilo é grande) e seu cantil já passou da metade...
O que você faz agora?
Toma o resto do cantil, xinga tudo com seu último fôlego e se joga no chão, aceita sua merda de destino.
Imagine que quando você está ali no chão arenoso, suas pálpebras queimando no sol, sua pele tão seca quanto a da sua tia Ruth, e a única coisa que você quer no momento é a morte (não a irmã boazuda do Sandman, a morte esquelética e encapuzada, aquela que lembra a titia Ruth), imagine que quando você perde toda a vontade de viver, uma muralha se ergue a sua frente. Uma muralha azul, tão grande, que tapa o sol que te suga a vida. Mas você não acredita, pois cê tá no deserto e o deserto tem "as mãnha" de fuder com sua cuca, mas de repente, no meio de toda sua incredulidade, a muralha azul tomba sobre você. Você acredita na muralha sacana vinda do nada agora, e a muralha te esmaga.
Mas a muralha não é uma muralha.
E muito menos te esmaga.
Você sente um "SPLASH" e toda vida, que estava evaporando do seu corpo, volta. Refrescantemente.
Uma onda.
A onda te banha, e você chora.
A onda traz sua vida de volta e por vários instantes infinitos, você está no céu.
E a cada quebra da onda, uma onda nova se forma e você revive o prazer de ser vivo de novo.
E de novo.
E de novo.
Até que a onda desagua em um rio.
O tão almejado Rio Nilo.
Aquela onda, vinda de sei-lá-da-onde, aquele presente de Selkis, aquele pequeno pequeno pedaço do paraíso, te leva ao lugar que você mais queria.
E lá tem água, comida e uma mansão que te esperam.
Como você se sentiria?
Agora imagine que você sou eu. O deserto é o acaso. A onda é um beijo. E toda a sensação satisfatória da onda é uma boa parte da minha vida...
Eu sou um puta sortudo, né não?
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