23/11/2012

Baile de Sexta-Feira a Noite

Eu gosto de olhar a Lua.
Cristais se quebram dentro de um corpo que é ferido.
Sem sentido.
Escrever é como ir a igreja, se você não faz, Deus fica com raiva.
Eu gosto de olhar a Lua.
Vai e volta e desespero.
Nunca vai embora.
Eu gosto de olhar a Lua.
Românticos não querem que as coisas durem. Esses são os sentimentais.
Eu sou um romântico.
Eu gosto de olhar a Lua.
Verbos destroem a porra toda.
Encaixe verbal ou sintático?
Eu gosto de ver a Lua.
Será que existem mudanças?
Será que são proporcionadas por forças naturais que vem de fora?
Eu gosto de olhar a Lua.
Esperar, e sempre esperando.
Criatividade prolixa.

Eu gosto de olhar a Lua.
Será que ela gosta de me olhar de volta?
"SE TIM LEARY NÃO É DEUS,
ENTÃO DEUS ESTÁ MORTO.

MEU PAI MORREU NA BRIGADA
ABRAHAM LINCOLN E O DIABO
TEM XOXOTA.

CHARLES LINDBERG
CHUPAVA PAU"

26/08/2012

Muitos A's e Alguns I's

Pancadas de tensões acontecidas em milnovecentoseontem esmagam um cerebro esmagado pela pressão do doismilehoje.
Medidas precárias de um gnomo gigante.
Tanto conhecimento não cabe na mente que mente a si mesmo e diz que será suficiente. Mas nunca é.
Nada é. Mesmo sendo.
Vianjandona passa as três horas matinais da segunda.
Remexo o eixo que estava completamente se consertando.
"Algumacoisa My sonidera" no som.
O Thompson caçador de Stockton nunca terá um discípulo brasileiro, que abrasileira todo o russo que conhece e faz o Niko matar e não trabalha os músculos de cinzentos.
Много головной боли.
Os animais mortos na barriga se movimentam loucamente e um grito sobe, mas entala na garganta e nem me Shako como um Snowglobe.
Nada faz sentido.
Eu não sei o que acontece aqui e o porque do filme da máquina do tempo na banheira sujou o meu tapete, mas nada parece mais se encaixar.
Não, não vais a Viajandona.

A única certeza é que amanha eu irei acordar sem pensar em nada disso, como sempre acontece.

Robocop programado para auto esquecer.

Bom e ruim não importam (importam sim!), só importa que você fez algo(quem dera...).

14/05/2012

(de)Gelo

Velha amiga, um dia eu te reencontrarei.
Vamos escalar quedas d'água como costumávamos fazer.
Vamos capturar pirilampos e usá-los para iluminar a tenda que nos protege do frio nas férias.
Vamos escrever filmes e livros que serão premiados em todo o universo.
Vamos dançar ao redor de fogueiras, e você, como sempre, vai chorar ao olhar a lua.
Você vai me beijar quando eu estiver sozinho no mar.
Eu vou chorar quando a liberdade tocar meus pés e você vai sorrir e me abraçar.
Vamos voar ao redor das montanhas.
Vamos desvendar os mistérios do abismo.
Vamos nadar com os pequeninos animais na costa o caribe.
Teremos longos debates alcólicos que revelarão nossa natureza filosófica.
E então vamos esquecer a filosofia e simplesmente sorrir de piadas velhas...

Eu sei.
Eu sei que um dia vamos nos ver de novo.

Eu sei, porque você sempre volta para me salvar de tempos inúteis como esse.

E nem que eu tenha que andar o mundo inteiro, nós nos reencontraremos...




25/04/2012

"Será que essa gente percebeu,
Que essa morena desse amigo meu

Tá me dando bola tão descontraída
Só que eu não vou em bola dividida
Pois se eu ganho a moça eu tenho o meu castigo
Se ela faz com ele vai fazer comigo!"
"Da manga rosa
Quero gosto e o sumo.
Melão maduro, sapoti, juá.
Jaboticaba, teu olhar noturno;
Beijo travoso de umbú cajá.

Pele macia,
Ai! carne de cajú!
Saliva doce, doce mel,
Mel de uruçú.

Linda morena,
Fruta de vez temporana,
Caldo de cana caiana
Vou te desfrutar!"

12/03/2012

Descriminando os Discriminados

Não há o insuportável.
Nenhum caminho é intransitável.
Só existem ligeiros covardes que levam a vida da forma mais fácil.
E mesmo que tentássemos ser normais, não conseguimos.
Porque quando estamos totalmente inseridos em raízes artísticas, todo o resto é mínimo.
Prende.
Não se pode ser normal e apresentável.
E toda música que toca contra nós, é intransitiva.
E os que respirarem ódio, eu os odeio.
Venham todos contra nós.
Nós vamos contra todos.

04/03/2012

Livro de Rosto

Talvez eu esteja me fazendo de bobo.
Talvez a ferramenta global que eu acho que diminui o ser humano seja a única que vai me tirar do desassossego e completar o vazio de minha vida.
Talvez todas essas pessoas sorrindo e falando besteiras sejam realmente felizes.
Talvez eu encontre o que me falta.
Talvez se eu aderir esse estilo de vida socialmente psicótico, algumas das coisas que eu julgo - em toda a altura de minha ignorância - serem obsoletas, façam sentido.
Talvez eu poderia começar a levar as coisas mais a sério se eu virasse virtualmente sociável.
Droga, talvez eu até me tornaria sociável de verdade.
Talvez eu acharia um rumo.
Talvez eu me tornaria importante e não teria mais dores de cabeça por acordar e dormir tarde demais.
Ou talvez tudo é uma grande piada e o presente é o que é.

Bem, uma certeza é que eu teria mais alguma coisa para usar como desculpa para não sair de casa.

25/02/2012

" ... Amem, amem, amem, amem
Mamem, mamem, mamem, mamem
Amém, amém, amém, amém ."

14/02/2012

Despertar Pra Eternidade

Era em algum lugar no fim dos anos oitenta, alguma praia bem parecida com a Santa Clara de Garotos Perdidos, com todos os seus tipos estranhos e magníficos e a noite tinha sido roubada do livro Três Ladrões - azul, calada e misteriosa. A lua prateada iluminava a rua, bem mais que os postes fracos e velhos. A rua era minha. Sem carros ou qualquer tipo de transeunte para atazanar, eu descia uma ladeira com o meu skate de rodas imensas. Meu skate era equivalente a Hummer, um Hummer dos skates. E eu descia.
Jack falava correndo e sem pausas suas besteiras de Big Sur na minha mente e em todo bar, um velho tarado tomava todas e brigava muitas com sua versão mais nova e "moderna" enquanto uma a mais sexy femme fatale sorria. Um anarquista esquizofrênico falava sozinho enquanto destruía os pneus de carros sport, a maioria Porsches com uma placa que dizia "Nunca". Uma máquina de escrever vermelho-escuro gigante brilhava no horizonte. A chuva era inconstante e geralmente não me deixava molhado, apesar de me molhar. Peixes-boi tentavam atracar na margem da praia azul e roxa, mas alguns seres encapuzados gritavam três pequenas palavras em uma língua antiga e jogavam os animais de volta a imensidão azul.
Eu estava sozinho, então era okai fumar. Eu tinha um domínio espetacular do skate, e ele nunca deixava meus pés, mesmo quando bati em um toco de árvore, ele continuou comigo, já até pensava que era uma extensão do meu corpo. Máquinas fotográficas voadoras abduziam borboletas e bailarinas gigantes matavam menininhos gordos e sujos de chocolate enquanto eu descia. Meu cigarro nunca acabava. As pessoas não me notavam, o que era meio frustrante no começo, mas depois se tornou uma sensação muito boa. Durante toda a descida eu via pequenas estrelas sorrindo e brincando com pequenos escorpiões negros e vermelhos. Uma empresa queimava, um avião se conformava, um violino malhava tentando esconder seu corpo musical, tranqueiras tecnológicas se amontoavam em uma distante tristeza seca, uma cozinha pegava fogo e se tornava um tribunal. E eu descia. Uma ladeira sem fim e profundamente bela, desenhada com algumas curvas e alguns loops. eu podia ver seu fim, mesmo ele não existindo. Era uma praia tropical, honolululesca, cheia de ondas, surfistas e uma emaranhado de tulipas e flores de lotús. Mesmo com todos os bloqueios, esses dois símbolos se misturavam e se tornavam uma pequena semente com nome de anjo velho.
E toda essa sensação era profundamente agradável.

Daí eu percebi que só era um sonho, mas um sonho intenso, forte o bastante para inspirar um cara como eu a escrever novamente, então deve ter sido de alguma importância.

01/02/2012

Pornorama (Metáfora sobre a Vida e Tanto)

Se você pensar bem, tudo é um grande travesti. Desses que você encontra na esquina, cheirando a um amálgama de sémen recém gozado e perfume aguado, com um pouco de pó no nariz, sem uma de suas botas de látex caras, com a cabeça enfiada em um cinzeiro público, catando as bitucas de cigarro que não consegue comprar com seu salário de um real por boquete, que vai todo para seu outro vício que o deixa desdentado, e os único dentes que sobraram estão ou amarelos ou pretos, e mesmo assim você tem a coragem de fodê-lo, sem proteção alguma, exceto aquela proveniente de "Padím Cíço", que mesmo assim é uma proteção meio vagabunda, e com a cara e a coragem você enfia seu pênis, caído, frouxo e cabeludo, em um cu, caído, frouxo e cabeludo, que não é mais apertado e que provavelmente possui cento e cinquenta dst's em siglas, umas merdas que você nunca ouviu falar, e se ouviu, não sabe o que significam, e depois de foder esse buraco de merda, depois de sua porra amarelada e grossa escorrer pelos cantos, você ainda ganha uma chupada seguida de um beijo de uma boca com feridas no canto do beiço, e uma dedada que te faz chorar...
E no outro dia você acorda com uma baita ressaca, com o cu doendo e com o pau caindo...

Sinceramente, eu não vejo graça nenhuma em toda essa merda...

31/01/2012

" I know, I know for sure...
That life is beautiful around the world
"

Anágua

Crescimento que dói.
Transparência que faz o coração bater mais rápido.
Todo dia uma mentira é contada para sustentar outra mentira, que por sua vez é base de outra mentira que esconde uma verdade que dói.
Dói uma dor enlouquecedora. Prender e sentir preso. Ser preso e sentir prendendo.
Dor que estufa, gerando um volume descomunal de cargas emocionais que um dia vão se romper. Se quando átomos colidem o estrago é quase irreparável, quando sentimentos colidem o estrago é inimaginável.
Um acumulo de 19 anos de uma sobrevida, não é nada mais que uma anágua furada.
E os furos se tornam cada vez maiores...

17/01/2012

Memória de Elefante

Típico país, típico estado, típica cidade, típico bairro, típica casa e típica família.
Um típico cão, uma típica esposa, dois típicos filhos, um típico pai.
Típicos quartos, típicas cortinas, típicas roupas rasgadas, típicos gritos, típico sangue, típico dedo, típico orifício, típico choro, típico membro, típico mais sangue, típico fim, típico silêncio.
Típico outro dia, típico café da manha, típico assunto desconfortável nunca comentado, típica aceitação, típica omissão.

Tudo isso escondido em uma memória de elefante.