14/02/2012

Despertar Pra Eternidade

Era em algum lugar no fim dos anos oitenta, alguma praia bem parecida com a Santa Clara de Garotos Perdidos, com todos os seus tipos estranhos e magníficos e a noite tinha sido roubada do livro Três Ladrões - azul, calada e misteriosa. A lua prateada iluminava a rua, bem mais que os postes fracos e velhos. A rua era minha. Sem carros ou qualquer tipo de transeunte para atazanar, eu descia uma ladeira com o meu skate de rodas imensas. Meu skate era equivalente a Hummer, um Hummer dos skates. E eu descia.
Jack falava correndo e sem pausas suas besteiras de Big Sur na minha mente e em todo bar, um velho tarado tomava todas e brigava muitas com sua versão mais nova e "moderna" enquanto uma a mais sexy femme fatale sorria. Um anarquista esquizofrênico falava sozinho enquanto destruía os pneus de carros sport, a maioria Porsches com uma placa que dizia "Nunca". Uma máquina de escrever vermelho-escuro gigante brilhava no horizonte. A chuva era inconstante e geralmente não me deixava molhado, apesar de me molhar. Peixes-boi tentavam atracar na margem da praia azul e roxa, mas alguns seres encapuzados gritavam três pequenas palavras em uma língua antiga e jogavam os animais de volta a imensidão azul.
Eu estava sozinho, então era okai fumar. Eu tinha um domínio espetacular do skate, e ele nunca deixava meus pés, mesmo quando bati em um toco de árvore, ele continuou comigo, já até pensava que era uma extensão do meu corpo. Máquinas fotográficas voadoras abduziam borboletas e bailarinas gigantes matavam menininhos gordos e sujos de chocolate enquanto eu descia. Meu cigarro nunca acabava. As pessoas não me notavam, o que era meio frustrante no começo, mas depois se tornou uma sensação muito boa. Durante toda a descida eu via pequenas estrelas sorrindo e brincando com pequenos escorpiões negros e vermelhos. Uma empresa queimava, um avião se conformava, um violino malhava tentando esconder seu corpo musical, tranqueiras tecnológicas se amontoavam em uma distante tristeza seca, uma cozinha pegava fogo e se tornava um tribunal. E eu descia. Uma ladeira sem fim e profundamente bela, desenhada com algumas curvas e alguns loops. eu podia ver seu fim, mesmo ele não existindo. Era uma praia tropical, honolululesca, cheia de ondas, surfistas e uma emaranhado de tulipas e flores de lotús. Mesmo com todos os bloqueios, esses dois símbolos se misturavam e se tornavam uma pequena semente com nome de anjo velho.
E toda essa sensação era profundamente agradável.

Daí eu percebi que só era um sonho, mas um sonho intenso, forte o bastante para inspirar um cara como eu a escrever novamente, então deve ter sido de alguma importância.

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